segunda-feira, 23 de junho de 2014

Moda masculina é Itália. E não se fala mais nisso.

Se tem algo que não se pode discutir é que a novidade para a moda masculina sempre nasce na Itália. Ternos com modelagem mais ajustada? Lá. Calça com barra mais curta? Lá. Tecidos tecnológicos? Lá. Sapato confortável? Lá. Loungewear masculina? Lá.  

Eu poderia fazer uma lista de mil itens, mas prefiro mostrar o que apareceu até agora nas passarelas da Pitti Uomo, evento que acontece em Florença, e comemora 60 anos de atividades. Uma semana de moda que antecede os desfiles de Milão e que traz fashionistas do mundo inteiro para conhecer as novidades. 

A marca Ermenegildo Zegna me surpreendeu pela cartela de cores e novas construções para o terno, elemento do vestuário masculino que para mim nasceu perfeito, com uma ou outra variação de modelagem. 

Stefano Pilati, diretor criativo da marca, apresentou um terno moderno, cartela de cores fantástica, camisa pijama e gravata foulard. Não é para se apaixonar?

Miuccia Prada trouxe roupas pespontadas e também mulheres na passarela. Afinal, qual é o homem que vive sozinho? Escolha o seu look e mostre para seu macho. Quem sabe ele se anima.



Terno Dolce & Gabbana. Para o homem que será notado vestido ou pelado, sempre. Corte impecável, gravata magrinha e cor berrante 

Abaixo, o tênis barroco dos italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana

O homem Gucci usa blazer com abotoamento duplo, calça branca e tênis. Um clássico para passear em Capri

O homem Marc Jacobs usa terno goiaba com sobretudo da mesma cor. O estilista americano compactua da vanguarda italiana e brilha na mesma passarela

Homem Marni usa roupas confortáveis

Antonio Marras, que já criou Kenzo, traz o mix de estampas para o homem ousado

Na passarela da Prada, o jeito italiano de fazer moda que todo mundo adora copiar, mas nunca fica igual ao original


O desconstruído arrumadinho do estilista John Varvatos, o eleito de dez entre dez roqueiros

Um terno rosa para um homem. Só poderia ser Versace

Uma barra nova para a calça Ermenegildo Zegna

A solução impecável que o diretor criativo Stefano Pilati oferece ao terno Ermenegildo Zegna: nova cartela de cor, modelagem ampla, camisa pijama e gravata foulard. O novo terno é um luxo



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Craig Green, o novo terrível (comportado) da moda inglesa

Já faz tempo que a imprensa especializada de moda quer eleger um novo queridinho para chamar de seu. Jean-Paul Gaultier já deixou sua marca incrível nas passarelas, John Galliano foi banido do mundo fashion depois de emitir comentários antissemitas e Alexander McQueen decidiu não participar mais do circo da moda.

Os três chamaram atenção pela ousadia ao criar alta-costura feminina. Durante essa semana em Londres, durante a apresentação de coleções masculinas, um jovem estilista estreante levou a plateia às lágrimas. 

Craig Green, formado pela escola Central Saint Martins College of Arts and Design, a mesma onde estudou Stella McCartney, fez seu desfile-solo. Levou meninos-heróis vestidos de samurais, trabalhadores, zens, japoneses de fábrica, anjos, misóginos, andróginos para quem teve a sorte de estar lá. Seu desprendimento com tendências é visível.

Green se concentra no tecido e na forma. Apesar de evocar referências de décadas passadas, como o japonismo da década de 80 e a roupa com moldura, que foi novidade para os holandeses Viktor & Rolf, o inglês agradou. E muito. 

Ao som de Caribbean Blue, da cantora Enya, Green arrancou aplausos efusivos, lágrimas e gritos da plateia que testemunhou suas criações. Nasce uma estrela, mesmo que efêmera, no mundo da moda.



Backstage do desfile de Craig Green: o modelo de roupa azul usa uma bandeira que emoldura seu look

Com referências a Rei Kawakubo e japonismos da década de 80, Green desfila seu masculino em Londres

Homens andróginos. Muito sexy

Modelagem solta, minimalismo e ousadia


Tecidos impecáveis


Samurai contemporâneo

O estilista inglês Craig Green



A trilha do show. Viaje!


domingo, 15 de junho de 2014

Luxo cultural: Zécarlos Machado em cena

Zécarlos Machado em cena de Retratos Falantes: fabuloso


Quando saí de casa para prestigiar o espetáculo Retratos Falantes, em cartaz no Tucarena, eu já sabia que seria submetida a um exercício cênico de altíssima qualidade. Os precedentes eram incontestáveis e vinham em dupla: direção de Eduardo Tolentino de Araújo, do Tapa, grupo de teatro conceituado e longevo na história dos palcos paulistanos (desde 1979). E um solo de Zécarlos Machado, daqueles atores que nos faz respirar com dificuldade e mexer na cadeira, eventualmente, tamanha a provocação a que ele nos submete.

O texto é do dramaturgo inglês Alan Bennett, 80 anos, que apresenta, como diz Tolentino, “pessoas comuns, quase invisíveis, que, muitas vezes, podem estar ao nosso lado. Não são aquelas que estamos habituados a ver nas revistas de fofocas e de celebridades, nem os marginais que povoam as folhas dos jornais. São retratos de figuras anônimas que podem estar no nosso convívio". 

No primeiro solo da peça, Brian Penido nos traz um solteirão que cuida da mãe e tem problemas com sua sexualidade. Alterando a voz e o gestual, Brian interpreta em cena vários personagens, como o namorado da mãe e sua filha. O humor é cáustico, ácido, duro. E nos transporta talvez para a periferia de alguma cidade inglesa, como Leeds, onde Bennett nasceu. 

Na segunda parte do espetáculo, é a vez de Zécarlos Machado dar um show. Fiquei de boca aberta. A presença no palco circular do Tucarena é perigosa, porque o público se dispersa pelas cadeiras e o ator precisa contemplar a plateia inteira. Ele não decepciona - o palco é totalmente de Zécarlos. A postura corporal, a voz, o figurino, os trejeitos. O personagem é dificílimo e esconde um segredo, logo revelado, muito difícil de enfrentar. Um perturbado social, um desajustado, um personagem que instiga qualquer ator. Uma armadilha, se o ator não der conta do recado.

Zécarlos conquista o público. A pequena temporada está sendo prejudicada pelos jogos da Copa do Mundo, mas eu diria que para quem gosta do trabalho de ator, com um espetáculo focado em texto e interpretação, sem megalomania, o passeio é fundamental. Simpáticos e profissionais que são, o elenco e o diretor recebem a plateia, ao final do espetáculo, para discutir a peça. É ou não é um exercício de amor o que esses caras fazem? Parabéns.



Serviço

Retratos Falantes, de Alan Bennett (1934)
Direção - Eduardo Tolentino de Araújo
Elenco – Brian Penido e Zécarlos Machado
Temporada: de 6 de junho a 6 de julho de 2014
Espetáculos: sextas e sábados, às 22h, e domingos às 19h
Ingressos: R$ 50 / R$ 25 (meia)
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos
Capacidade: 300 lugares
Local: Tucarena
Rua Monte Alegre, 1024 - Entrada pela Rua Bartira

Ingressos pela internet: www.ingressorapido.com.br ou telefone 4003-1212
Horário de atendimento da bilheteria
Terça a domingo, das 14h às 20h
Formas de Pagamento: dinheiro ou Amex, Aura, Diners, Hipercard,
Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Eletron
Valet apenas sábados e domingos: R$20
Estacionamento conveniado Pier Park Estacionamentos - Rua Monte Alegre, 835: R$14 (Valor válido somente mediante a apresentação de ingressos das peças em cartaz no TUCA)

O dramaturgo inglês Alan Bennett, 80 anos


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cozinhas que amamos

Não precisei passear muito pela Casa Cor para descobrir meu ambiente preferido. Eu, que sempre prestei atenção no trabalho da dupla Antonio Ferreira Junior e Mario Celso Bernardes, caí acidentalmente, sem querer mesmo, no Chalé do Jogador de Golfe.

Os veteranos de Casa Cor sempre trazem referências retrô em seus projetos, principalmente das décadas de 50 e 60. Junior, especificamente, me contou em uma outra ocasião, que é nessas décadas que praticamente tudo foi inventado de maneira revolucionária. E permaneceu.

O ambiente tem uma atmosfera de chalé europeu, com sala, quarto, cozinha e banheiro, sem paredes. Todo decorado em tons de verde e azul, predominantemente masculino. Os acessórios também remetem ao passado, com uma curadoria impecável.

Fiquei encantada com a escolha dos móveis e do revestimento do box - quando ladrilhos hidráulicos foram colocados aleatoriamente na parede, provocando uma grande parede texturizada.

Mas a grande estrela desse ambiente é a cozinha vintage industrial, montada com móveis da fábrica italiana Marchi Cucine, que são concebidos artesanalmente com madeira certificada. A cuba de sobrepor, as rodinhas que facilitam a limpeza, ma che bello!

Consegui me imaginar ali, no friozinho, tomando um vinho com meu amor, depois de passear pelas montanhas nos Alpes. Pode ser em Gonçalves também! E não é para isso que servem os sonhos que os arquitetos e decoradores imaginam para nós? 




Cozinha industrial italiana Marchi no Chalé do Jogador de Golfe, projetado por Antonio Ferreira Junior e Mario Celso Bernardes, para essa edição da Casa Cor

A mesa de refeições é Vitra, e as cadeiras HAL, de Jasper Morrison, à venda na Micasa

As portas e gavetas têm acabamento de laca verde, muito chique
A sala do chalé tem sofá Chesterfield da Jocal e par de cadeiras de Sergio Rodrigues


Ladrilho hidráulico da Brasil Imperial no box

Detalhe do sofá Chesterfield da Jocal

Papel de parede dinamarquês no hall de entrada

Poltrona verde Longwave da Diesel/Moroso

O carrinho de golfe

Jogador de golfe também é campeão



28ª Casa Cor São Paulo


De 27 de Maio a 20 de Julho de 2014
Jockey Club de São Paulo (Av. Lineu de Paula Machado, 1.173 - Cidade Jardim).

Horário de Funcionamento: de terça-feira a sábado, das 12h às 21h30; domingo e feriado, das 12h às 20h.


Ingresso: R$ 45 (de terça-feira a sexta-feira), R$ 57 (sábado, domingo e feriado), R$ 120 (passaporte válido para todos os dias da mostra).

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Jogo de corpo - quando o futebol vira balé. Ou vice-versa.

A primeira vez que saí com André Porto para fazer uma pauta, eu quase não acreditei. Antes que eu conseguisse fazer a primeira pergunta, ele já tinha feito todas as fotos e embarcado no táxi. Sem querer minimizar quem prepara a luz, Porto é daqueles caras que preza pelo instantâneo. Perde-se uma foto em um segundo. Mas também ganha-se. E muito. 

Surpresa bacana quando ele me enviou a série de fotos que fez em parceria com a São Paulo Companhia de Dança, conduzida pela competente Inês Bogéa. Ele pesquisou o bailado dos jogadores de futebol e a trupe o convidou para que reproduzisse, em campo, as poses e momentos históricos que tanto gostamos de ver.

O resultado é fantástico. Formado em Arquitetura, André Porto é fotojornalista desde 1998 e já trabalhou nos jornais Agora São Paulo e Folha de S. Paulo e as revistas IstoÉ, Bravo! e Rolling Stone. Em 2003, venceu o Prêmio Folha de Jornalismo e recebeu Menção Honrosa no Wladimir Herzog de Direitos Humanos.

Para quem quiser conhecer a série completa de fotos, elas estarão em cartaz de 11 de junho a 30 de julho. A mostra Jogo de Corpo tem entrada gratuita e é aberta ao público, na Biblioteca São Paulo - Parque da Juventude (av. Cruzeiro do Sul, 2.630 - ao lado da Estação Carandiru do Metrô). O horário de funcionamento é de terça a sexta, das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h. Mais informações: (11) 2089-0800. 

Porto é sensacional. Nessa série, entretanto, ele mostra um lado que eu não conhecia e passo a recomendar a partir de agora - a foto-arte. Se quiser ver mais fotos além dessas que publico aqui, acesse esse link do UOL. 

Para entender André Porto, visite seu flickr


Balé e futebol: artes complementares 

Bicicleta no ar: pose clássica

Jogo de Corpo: exposição fotográfica em cartaz a partir de 11 de junho





terça-feira, 13 de maio de 2014

As mil e uma noites de Karl Lagerfeld para Chanel

Como já faz parte de seu ritual milimetricamente orquestrado, Karl Lagerfeld convocou seus seguidores para, dessa vez, acompanhar o lançamento da coleção cruise (intermediária entre as de Paris) da Chanel em Dubai, nos Emirados Árabes, no Golfo Pérsico.

Trouxe para a passarela mais de oitenta looks muito bordados e brilhantes, como se as modelos fossem princesas árabes modernas que tivessem sido libertadas de seus castelos e fossem passar uma temporada em Paris ou Londres.

A marca Chanel está presente nos tweeds e na modelagem solta e o toque contemporâneo veio com as calças bufantes, o cabelo cor-de-rosa de uma das modelos, o jeito novo de carregar a bolsa Chanel.

E como Lagerfeld sempre alude à tradição e ao pioneirismo da marca, criou peças coloridas, inspiradas na coleção que a própria Mademoiselle Chanel lançou com referências ao Ballets Russes, companhia para a qual ela desenhou figurinos. E patrocinou, secretamente, na década de 20. Um viagem deliciosa que só o mundo da moda pode proporcionar. 



Calça bufante brilhante, cintura marcada e casaqueto: a princesa Chanel moderna

O tweed em versão vestido-casaqueto e calça afunilada 

Karl Lagerfeld lembra o Ballets Russes, companhia para a qual Chanel desenhou figurinos e patrocinou em segredo

Mulheres femininas e coloridas: a estampa parece obra de arte

Mix de estampas em conjunto de vestido e calça bufante 

Mais uma homenagem ao estilo que Yves Saint Laurent também consagrou: as princesas árabes

Acessórios de cabeça para cabelos armados e fartos

Nasce um novo jeito de carregar a bolsa Chanel

Alta-costura em seu melhor momento: bordados ricos, corte preciso e imagens que nos fazem sonhar

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Le carré

Faz 66 anos que a Maison Christian Dior desembarcou nos Estados Unidos e Raf Simons, diretor criativo da marca, criou 66 looks para a coleção resort 2015 que apresentou essa semana, no Brooklyn, no Estados Unidos. Coincidência singular? Não é possível. Na alta-costura não há espaço para coincidências - existe muito dinheiro em jogo.

Inspirado pelo carré, o lenço de seda que as francesas exportaram para o mundo como acessório fundamental de estilo, Simons criou uma coleção solta, colorida e fácil de usar. Ele, que é alemão, sabe misturar bem o racionalismo com a pegada chique de Paris que as clientes adoram. 

Sem caras e bocas, as roupas Dior são coloridas, cheias de recortes e no caso dessa coleção, intermediária entre aquelas que são apresentadas na França, seguem o estilo que consagrou Simons, há dois anos na maison. 

Como se fossem pinturas, os vestidos, saias, paletós e macacões são verdadeiras obras de arte que irão conquistar as mulheres independentes, modernas e porque não, extremamente sexy. 




Um belíssimo trabalho de Raf Simons com sobreposição de tecidos fluidos que lembra le carré, o lenço que as francesas imortalizaram como acessório de estilo

Como uma pintura, o conjunto de saia e calça parece uma tela em branco pintada por uma artista do bairro boêmio do Marais, em Paris

Saia, calça e botinha: o uniforme da parisiense chique
A cintura alta valoriza o corpo feminino e a deixa elegante

Mistura de estampas

O paletó oversized foi um dos mais aplaudidos

Macacão de cetim preto: um look sem erro para qualquer ocasião em que a mulher quiser se sentir especial