quinta-feira, 5 de junho de 2014

Jogo de corpo - quando o futebol vira balé. Ou vice-versa.

A primeira vez que saí com André Porto para fazer uma pauta, eu quase não acreditei. Antes que eu conseguisse fazer a primeira pergunta, ele já tinha feito todas as fotos e embarcado no táxi. Sem querer minimizar quem prepara a luz, Porto é daqueles caras que preza pelo instantâneo. Perde-se uma foto em um segundo. Mas também ganha-se. E muito. 

Surpresa bacana quando ele me enviou a série de fotos que fez em parceria com a São Paulo Companhia de Dança, conduzida pela competente Inês Bogéa. Ele pesquisou o bailado dos jogadores de futebol e a trupe o convidou para que reproduzisse, em campo, as poses e momentos históricos que tanto gostamos de ver.

O resultado é fantástico. Formado em Arquitetura, André Porto é fotojornalista desde 1998 e já trabalhou nos jornais Agora São Paulo e Folha de S. Paulo e as revistas IstoÉ, Bravo! e Rolling Stone. Em 2003, venceu o Prêmio Folha de Jornalismo e recebeu Menção Honrosa no Wladimir Herzog de Direitos Humanos.

Para quem quiser conhecer a série completa de fotos, elas estarão em cartaz de 11 de junho a 30 de julho. A mostra Jogo de Corpo tem entrada gratuita e é aberta ao público, na Biblioteca São Paulo - Parque da Juventude (av. Cruzeiro do Sul, 2.630 - ao lado da Estação Carandiru do Metrô). O horário de funcionamento é de terça a sexta, das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h. Mais informações: (11) 2089-0800. 

Porto é sensacional. Nessa série, entretanto, ele mostra um lado que eu não conhecia e passo a recomendar a partir de agora - a foto-arte. Se quiser ver mais fotos além dessas que publico aqui, acesse esse link do UOL. 

Para entender André Porto, visite seu flickr


Balé e futebol: artes complementares 

Bicicleta no ar: pose clássica

Jogo de Corpo: exposição fotográfica em cartaz a partir de 11 de junho





terça-feira, 13 de maio de 2014

As mil e uma noites de Karl Lagerfeld para Chanel

Como já faz parte de seu ritual milimetricamente orquestrado, Karl Lagerfeld convocou seus seguidores para, dessa vez, acompanhar o lançamento da coleção cruise (intermediária entre as de Paris) da Chanel em Dubai, nos Emirados Árabes, no Golfo Pérsico.

Trouxe para a passarela mais de oitenta looks muito bordados e brilhantes, como se as modelos fossem princesas árabes modernas que tivessem sido libertadas de seus castelos e fossem passar uma temporada em Paris ou Londres.

A marca Chanel está presente nos tweeds e na modelagem solta e o toque contemporâneo veio com as calças bufantes, o cabelo cor-de-rosa de uma das modelos, o jeito novo de carregar a bolsa Chanel.

E como Lagerfeld sempre alude à tradição e ao pioneirismo da marca, criou peças coloridas, inspiradas na coleção que a própria Mademoiselle Chanel lançou com referências ao Ballets Russes, companhia para a qual ela desenhou figurinos. E patrocinou, secretamente, na década de 20. Um viagem deliciosa que só o mundo da moda pode proporcionar. 



Calça bufante brilhante, cintura marcada e casaqueto: a princesa Chanel moderna

O tweed em versão vestido-casaqueto e calça afunilada 

Karl Lagerfeld lembra o Ballets Russes, companhia para a qual Chanel desenhou figurinos e patrocinou em segredo

Mulheres femininas e coloridas: a estampa parece obra de arte

Mix de estampas em conjunto de vestido e calça bufante 

Mais uma homenagem ao estilo que Yves Saint Laurent também consagrou: as princesas árabes

Acessórios de cabeça para cabelos armados e fartos

Nasce um novo jeito de carregar a bolsa Chanel

Alta-costura em seu melhor momento: bordados ricos, corte preciso e imagens que nos fazem sonhar

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Le carré

Faz 66 anos que a Maison Christian Dior desembarcou nos Estados Unidos e Raf Simons, diretor criativo da marca, criou 66 looks para a coleção resort 2015 que apresentou essa semana, no Brooklyn, no Estados Unidos. Coincidência singular? Não é possível. Na alta-costura não há espaço para coincidências - existe muito dinheiro em jogo.

Inspirado pelo carré, o lenço de seda que as francesas exportaram para o mundo como acessório fundamental de estilo, Simons criou uma coleção solta, colorida e fácil de usar. Ele, que é alemão, sabe misturar bem o racionalismo com a pegada chique de Paris que as clientes adoram. 

Sem caras e bocas, as roupas Dior são coloridas, cheias de recortes e no caso dessa coleção, intermediária entre aquelas que são apresentadas na França, seguem o estilo que consagrou Simons, há dois anos na maison. 

Como se fossem pinturas, os vestidos, saias, paletós e macacões são verdadeiras obras de arte que irão conquistar as mulheres independentes, modernas e porque não, extremamente sexy. 




Um belíssimo trabalho de Raf Simons com sobreposição de tecidos fluidos que lembra le carré, o lenço que as francesas imortalizaram como acessório de estilo

Como uma pintura, o conjunto de saia e calça parece uma tela em branco pintada por uma artista do bairro boêmio do Marais, em Paris

Saia, calça e botinha: o uniforme da parisiense chique
A cintura alta valoriza o corpo feminino e a deixa elegante

Mistura de estampas

O paletó oversized foi um dos mais aplaudidos

Macacão de cetim preto: um look sem erro para qualquer ocasião em que a mulher quiser se sentir especial


terça-feira, 29 de abril de 2014

Punk, punk, violento - Londres e o fotógrafo Derek Ridgers

O jornal The Guardian duvida que alguém tenha um arquivo fotográfico mais vasto do que o inglês Derek Ridgers quando o assunto é o registro dos personagens da cidade de Londres. Com uma câmera na mão, desde a década de 70, o jornalista registrou skinheads, punks, pós-punks, novos românticos, góticos, ravers e qualquer um que tivesse um estilo híbrido. 

Parte desse material está reunido no livro 78-87 London Youth, que está sendo lançado agora (à venda na Amazon por US$ 35,26). O resultado é rico e as imagens, décadas depois, ainda tem muita força. Londres sempre foi a capital mais pulsante da Europa - exportando modas e movimentos para o resto do mundo. Foi nesse ambiente efervescente que o fotógrafo dedicou noites e noites a percorrer bares, casas noturnas e ruas para capturar o comportamento dos jovens, suas roupas, suas tatuagens e seu jeito de viver.

Lembro que na época da minha faculdade, em meados da década de 80, Londres sempre foi uma cidade-desejo. Éramos fascinados pela música, pelas roupas, pela atmosfera. Ainda hoje, ainda a considero uma dos lugares mais heterodoxos da face da terra. Olhar para essas fotografias me fez lembrar que a juventude é sempre muito criativa, livre, espontânea. E assim deveríamos permanecer para sempre.


Se quiser conhecer o trabalho de Derek Ridgers, aqui
Se quiser comprar o livro 78-87 London Youth, aqui 



Skinhead com tatuagem de flor no rosto

Coturnos e símbolos 

O corte de cabelo moicano marcou época e ficou

Juventude transviada?

Aos poucos, o punk foi dando lugar à estética decadente dos novos românticos

A moda retrô nasce em Londres, assim como as manifestações de gênero

As mulheres também se manifestavam com tatuagens e novos cortes de cabelo


Jovens na década de 80 também inventavam novos cortes de cabelo e roupas

Estilo híbrido que mistura punk com romantismo

A cena noturna de Londres: uma das mais interessantes do mundo
O fotógrafo Derek Ridgers

A capa do livro à venda na Amazon

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Quando Paris Alucina - Les amies de Place Blanche

Originalmente publicado em 1983 e reeditado em 2014, o livro Les Amies de Place Blanche é um retrato em preto e branco da vida da comunidade transexual que vivia nos arredores de Paris, nos anos 50 e 60.

As fotografias foram tiradas pelo sueco Christer Strömholm (1918-2002), um dos mais importantes representantes da fotografia documental do pós-guerra. Suas imagens cruas, sujas e realistas são tão poderosas que mesmo quase seis décadas depois de terem sido feitas, continuam frescas e intrigantes. 

Os personagens são maravilhosos. Em situações de trabalho ou intimidade, gostei mesmo foi da maquiagem e das roupas, do styling inspirada em musas do cinema francês e italiano e das referências à nouvelle vague. Esse livro deve ser fonte de inspiração constante para qualquer pessoa que se interesse pelo comportamento humano. 


Se deseja comprar o livro, aqui  
Se deseja conhecer outros trabalhos do fotógrafo Christer Strömholm, aqui

Acima, o sueco Christer Strömholm em atividade e abaixo, com seus personagens do submundo de Paris da década de 50 e 60 


Cabelos e maquiagem inspirados nas grandes musas do cinema francês e italiano. Abaixo, o fotógrafo trabalhando


Retratos crus e contundentes


O sueco também capturou os transexuais trabalhando

Fotografias que contam muitas histórias e documentam um modo de vida 

Fotos: Christer Strömholm



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Bill Cunningham, o senhor moda de rua

Bill Cunningham em seu local de trabalho:  as ruas de Nova York (às vezes, Paris)
Um dos fotógrafos mais poderosos do mundo, Bill Cunningham, dono de duas colunas no jornal The New York Times, fez fama ao documentar o modo de vida de Nova York, e mais do que tudo, as roupas que desfilaram pelas ruas daquela cidade por quase 50 anos. Há alguns anos, o site do jornal também exibe um vídeo em que ele comenta os looks.

Desinteressado pelos "cabides de grifes", ou seja, editoras de moda que são pagas para vestir roupas na porta de desfiles, ou pessoas sem quase nenhuma originalidade, Cunningham busca a foto que não é óbvia, às vezes até sem foco, e adora quando chove na cidade, assim ele consegue capturar quando as pessoas pulam sobre poças ou sobre o gelo. 

Tamanha relevância, entretanto, não o transformou em uma celebridade. Até bem pouco tempo, morava em um pequeno apartamento no prédio do Carnegie Hall, entulhado com arquivos de metal recheados de negativos. Depois, se mudou para outro apartamento com vista para o Central Park e pediu para o senhorio tirar a cozinha para que pudessem caber mais arquivos. Ele não tem guarda-roupa: suas peças se restringem a casacos azuis descartáveis que ele compra em loja de artigos chineses e calças de estilo militar.

Para mostrar um pouco como é o cotidiano do fotográfo, ele se deixou registrar, depois de muita insistência, pelos cineastas Richard Press e Philip Gefter. O resultado é o documentário Bill Cunnigham New York, lançado em 2011, que mostra como é o trabalho dele, e por consequência, como funciona o mundo da moda.

Aos 85 anos, ele continua indo para a "pauta" de bicicleta, usa filme na câmera fotográfica e pacientemente, espera pela melhor foto nas esquinas da cidade. O documentário mostra como ele vive apenas para o trabalho, do qual se orgulha muito, e como é reverenciado pelas pessoas que fotografa.

Anna Wintour, editora de moda da revista Vogue americana, é dona de uma das melhores frases do documentário. "Nós nos vestimos para Bill", diz ela, fã assumida. O filme está disponível para download no iTunes, aqui.  

Seu material de trabalho: uma câmera e uma bicicleta

Reverenciado pelo grand monde, nessa foto é saudado por Iris Apfel, socialite americana que ele ajudou a transformar em referência e símbolo de elegância

Com Anna Wintour, editora da Vogue Americana
Anna Dello Russo, editora da Vogue Japão, "perseguida" por Cunningham 

No laboratório ele analisa o fruto de seu trabalho
Cunningham nunca abandona a bicicleta, que já teve roubada 29 vezes

Antes de ser fotógrafo, Cunningham vendia chapéus que ele confeccionava
Na rua com os personagens que nem sempre são "cabides de grifes"
Sua coluna semanal no The New York Times mostra as tendências de moda da rua. Abaixo, trailer do documentário Bill Cunningham New York, que o acompanha em Nova York e Paris, mostrando o seu trabalho e seus fãs